Metáforas da liquidação

Não vejo muito problema em comprar roupas em liquidação. Normalmente fico feliz o suficiente pra valer o dinheiro que paguei, mesmo não usando nunca a peça ou tendo que esperar chegar o próximo inverno, tendo acabado de começar o verão. Também não me importo muito se comprei aquele sapato lindo, que não cabe direito no meu pé, machuca a cada vez que penso em usar e custou quase o mesmo preço que estava quando não existia um adesivo laranja cobrindo o atual preço, normalmente a diferença não está naqueles números, está na cor da etiqueta. É coração, você é fácil de enganar e é sobre isso que vamos falar. Gastar dinheiro é melhor do que gastar amor, mas ah como eu queria que pudéssemos escolher qual dos dois tirar da carteira.
Queria mesmo era economizar meu coração, minhas lágrimas, meus sentimentos. Chega uma época em que você se sente tão sozinha no mundo que a última coisa que é realmente importante pra você acaba virando item de liquidação barata. O que deveria ser uma valiosa peça de um brechó requintado é visto sendo oferecido a preço de banana nos cestões de lojas populares. Não que eu não ame esses cestões, faço a festa sempre que cruzo com um, mas saber que podem fazer isso com o meu coração não parece tão animador agora.
Acabo comprando o primeiro amor barato que me aparece, por achar que “já que está em liquidação, não me custará quase nada experimentar” e aí vou usando sentimentos baratinhos, que não pesam, não duram.
Acho que eu tou precisando é de um coração de qualidade pra ter sempre que precisar e poder contar com ele, estação após estação. Porque amor não sai de moda nunca.



